Maldição ou dádiva / Curse or gift / Maldición o dádiva

Em português abaixo… / In English below… / En castellano abajo…

illustration: Paloma Villela

illustration: Paloma Villela

 

Maldição ou dádiva

Algum tempo atrás conheci um grupo de mulheres fortes, decididas e bem resolvidas nas suas carreiras. Mulheres modernas, sempre com tempo para pintar suas unhas, cuidar da saúde e com tempo de ajudar com conselhos sempre produtivos a outras mulheres que não estávam tão bem resolvidas. Sabe como é, estas que perdem seu tempo criando os filhos.

Me perdi nos seus conselhos. Isso me deixava insegura e inquieta por que seguir estes conselhos atentava e atenta contra minha natureza e desejo. Mais eram muitas estas mulheres; quase todas que cruzavam e cruzam meu caminho e eu comecei a acreditar que minhas inquietações existiam por que eu não pintava minhas unhas e não tinha uma carreira para ostentar.

Em meio a tudo isso estava a yoga. Minha prática de yoga, minha resposta para mim mesma a toda a opressão sentida. A yoga e um lento sentido de confiaça que ganho e perco com o passar dos anos. Nada fixo, nada estático. Mais como uma leve sensação de aprendizado, até o momento de entender mais uma vez que não sei absolutamente nada e voltar ao princípio mais uma vez. Essa prática que garante um certo grau de sanidade mental, espiritual e física no meu dia-a-dia. Que me faz sentir gratidão, que me faz fazer perguntas e encontrar minhas próprias respostas. Admito que se deve tomar um pouco de cuidado (colocar atenção), por que o poder de encontrar algumas das minhas próprias respostas, pode subir a cabeça; acontece nas melhores famílias.

Más passado o momento “sou todo poderoso”, é muito útil poder cuidar de si mesmo. Poder entender que qualquer poder adquirido não é seu; qualquer resposta adquirida não é sua; qualquer sensação sentida não é sua; qualquer dor não é sua…que tudo isso pertence a quem você é agora. Más que tudo isso é mutável.

Então, agora eu sou uma mulher. E essa mulher quer dançar, ser sensual; esta mulher quer amar e ser amada; esta mulher quer ter filhos e criar seus próprios filhos sem culpa ou medida de tempo que se tem que dedicar aos mesmos. Esta mulher quer se sentir divina por ser capaz de alimentar vida dentro de si. Esta mulher quer se sentir grata por este dom. Esta mulher quer sentir paz de saber que não precisa ser outra coisa para satisfazer a expectativa de outros; amigos, familiares ou sociedade. E eventualmente esta mulher vai se realizar profissionalmente da sua própria forma, usando parâmetros próprios de uma mulher mãe.

Texto e ilustração: Paloma Villela
Ilustração inspirada em uma pintura de Gustav Klimt.
Revisão: Marcel Ruiz Forns


Curse or gift

Some time ago I met a group of strong women, determined and well settled in their careers. Modern women, always with time to do their nails, women that took care of their health and that had time to give you advice (always productive ones) to other women who were not so well resolved. You know, those who waste their time raising their children.

I lost myself in their advice. It made me insecure and restless because following their advice infringed upon my nature and desire. But there were many of these women; almost all women that crossed my way, and I started to believe that my concerns were true, because I didn’t do my nails and had no career to show off.

Among all this, there was yoga. My yoga practice, my answer to myself to the whole oppression felt. Yoga, and a slow sense of confidence that I gain and lose over the years. Nothing fixed, nothing static. More like a light sensation of learning until yet again understanding that I know nothing and I return to the start once more. This practice ensures a certain degree of mental, spiritual and physical sanity in my day-to-day. That makes me feel gratitude and makes me ask questions and find my own answers. I admit that one should take a little care (put attention), because the power of finding some of my own answers can go to my head; It happens in the best families.

But once overcome the moment “I am all powerful”, it’s very useful to take care of yourself. To be able to understand that any power gained is not yours; any acquired answer is not yours; any sensation felt is not yours; any pain is not yours… that all this, belongs to who you are now. But that all this is changing.

So now I’m a woman. And this woman wants to dance, to be sexy; this woman wants to love and to be loved; this woman wants to have children and raise their own children without guilt or measure of time that one has to devote to them. This woman wants to feel divine to be able to feed life within. This woman wants to feel grateful for this gift. This woman wants to feel peace of knowing that there is no need to be something to satisfy the expectation of others; friends, family or society. And eventually this woman will be fulfilled professionally in her own way, using her own parameters of a mother woman.

Text and illustration: Paloma Villela
Illustration inspired in a painting by Gustav Klimt.
Review: Marcel Ruiz Forns


Maldición o dádiva

Algún tiempo atrás conocí un grupo de mujeres fuertes, decididas y bien resueltas en sus carreras. Mujeres modernas, siempre con tiempo de pintarse las uñas, cuidar de su salud y con tiempo de ayudar con consejos siempre productivos a otras mujeres no tan bien resueltas. Sabes, estas que pierden su tiempo criando a sus hijos.

Me perdí en sus consejos. Esto me hacía insegura y inquieta, por que seguir estos consejos atentaba y atenta contra mi naturaleza y deseo. Pero eran muchas estas mujeres, casi todas que cruzaban y cruzan mi camino y yo empecé a creer que mis inquietudes existían por que yo no me pintaba las uñas y no tenía una carrera para ostentar.

En medio de todo esto estaba el yoga. Mi practica de yoga, mi respuesta a mi misma a toda la opresión sentida. El yoga y un lento sentido de confianza que gano y pierdo con el pasar de los años. Nada fijo, nada estático. Más como una leve sensación de aprendizaje, hasta el momento de entender una vez más que no sé absolutamente nada y volver de nuevo al principio. Esta práctica que garantiza un cierto grado de sanidad mental, espiritual y física en mi dia-a-dia. Que me hace sentir gratitud, que me hace hacer preguntas y encontrar mis propias respuestas. Admito que se debe cuidar (poner atención), porque el poder de encontrar mis propias respuestas, puede subir a la cabeza; pasa en las mejores familias.

Pero pasado el momento “soy todo poderoso”, es muy útil poder cuidarse a sí mismo. Poder entender que cualquier poder adquirido no es tuyo; cualquier respuesta adquirida no es tuya; cualquier sensación sentida no es tuya; cualquier dolor no es tuyo… que todo esto pertenece a quien eres ahora. Pero todo es mutable.

Entonces, ahora soy una mujer. Y esta mujer quiere bailar y ser sensual; esta mujer quiere amar y ser amada; esta mujer quiere tener hijos y cuidar a sus hijos sin sentirse culpable, sin medir el tiempo que va estar con ellos. Esta mujer quiere sentirse divina por ser capaz de alimentar vida dentro de si. Esta mujer quiere sentirse grata por este don. Esta mujer quiere sentir la paz de saber que no hace falta ser otra cosa para satisfacer la expectativa de otros; amigos, familiares o sociedad. Y eventualmente esta mujer se realizará profesionalmente de su propia forma, usando parametros propios de una mujer madre.

Texto y ilustración: Paloma Villela
Ilustración inspirada en una pintura de Gustav Klimt.
Revisión: Marcel Ruiz Forns

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6 comments

  1. Um texto forte, de empoderamento, auto-conhecimento e confiança.
    Adorei. ^^”

  2. wilmacostavillela

    Linda Ilustração Paloma!!!

    Ser mulher é uma dádiva,
    Ser humano é uma dádiva …

    Em tempos de ser livre
    a mulher é enrolada,
    catequizada
    a ser tudo.

    Escolhas
    My friend…

    É dádiva nascer sob esse gênero
    Feminino

    É maldição
    não entender quem somos

    Bom pra refletirmos:-)
    Carinho

  3. Love the image and the text Paloma. Both are beautiful and inspiring like you.

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