Trajetória solar/ Solar path / Trayecto solar

in english below…
en casteñano abajo…

Trajetória solar
Entre sonho e realidade (a realidade dos sonhos)

photo and editing: Paloma Villela

photo and editing: Paloma Villela

Acordei justamente a tempo de acompanhar o trajeto solar. Fazia frio e não queria sair de baixo do cobertor; me lembrei do que ele me disse; que acordava lento abraçando tempo, disfrutando cada pequeno/grande minuto. Talvez tenha uma vida paralela muito intensa, ai, na parte do seu sonho que não é considerada realidade; e talvez por isso seja difícil deixá-la para acordar e estar na metade do sonho a onde acreditamos na existência concreta de todas as coisas. A metade onde tudo o que é real é o que podemos tocar, medir, pensar e ver… esta onde olhos, sentidos, intuição e sorriso não são formas de ver a realidade; essa criada pela crença coletiva de ordem.

Descobri que ele sabe fazer do sonho acordado extenção dos sonhos ‘dormidos’. A ciência em direção a poesia. Me parece extraordinário que pudesse fazê-lo tão bem. Que pudesse descrever e sentir o momento com tanta precisão.

A luz do sol surgiu lentamente brigando com a noite, que cedeu gentilmente o espaço com generosidade. O sol também podia ser generoso, dando luz, alimentando vida. Pela sua magnitude não está acostumado a ceder, e cada noite pratica sua humildade permitindo que se manifeste outra forma de luz, a luz da noite. Mas mesmo assim, não deixa de trabalhar incansável, iluminando outra parte do planeta.

Eu olhava pela janela sem me mover, meu corpo ainda estava oficialmente no mundo dos  sonhos. Talvez no meio do caminho entre um sonho e outro; o sonho mundo paralelo e o sonho realidade. Preguiçosa, esticava os braços por cima da cabeça, sentia as costas se alongando, junto os pés e pontas dos pés… os dedos… sim! Ele tinha razão, era bom estar um pouco mais na cama… sentia o contato do que compreendemos como real, saia da bruma, essa fina e fraca fronteira entre os dois mundos existentes somente nas nossas mentes tão elaboradas, cheia de raciocínios lógicos, repleta de conclusões e juízos… tão ‘limitada(mente)’.

Pouco a pouco abri os olhos desfazendo a bruma, registrando cada cor e forma ao redor; me familiarizando com o ambiente do quarto. Ainda era cedo. Sai de casa cantando, transformando esta canção em uma espécie de mantra que atraia olhos curiosos dos que passavam, que sorriam internamente sentindo a felicidade que esta canção e meus lábios lançavam no ar da manhã. Nos encontramos nessa árvore ai do alto; o verde gritava a atenção de tão vivo, me sentia confortável, ‘sorrindo o verde’. Seria ele verde? Não sei, tenho minhas dúvidas quanto a natureza da sua cor. Logo saberei.

Eu caminhava com segurança por estes caminhos, agora eu os conhecia bem de uma certa forma. São meus caminhos preferidos por aqui. Se continuássemos um pouco mais, chegaríamos na área de dança a onde sempre havia festa de árvores. Normalmente as festas são divertidas, sempre cheias e quase sempre me deixam entrar. Mas hoje ficamos perto das estátuas, que espero não sejam donzelas de outros tempos aprisionadas.

A árvore além de ser muito forte sabia o significado de ter compaixão, nos permitiu fazer do seu tronco escada para o céu, já que por enquanto não podemos voar. Assim podíamos estar perto do azul e do verde.

Ringring!!!! ringring!!!! ringring!!!! O outro mundo chamando para nos trazer de volta a esta realidade que conhece a maioria…

Eu não queria deixar ele ir… mas tudo tem seu tempo e ele foi para voltar a me encontrar mais adiante a onde tudo era criação nossa. Ai a onde a atmosfera era brisa de duas respirações suaves, música, palavras e claro, o tão desejado silêncio, que carrega o ar de densidade. Dai não posso dizer nada mais.

A final tudo ficou em partículas de tempo em forma de pequenas moléculas, que juntas formavam este momento e inclusive separadas tinham vida própria. Eu tinha provas suficientes de que o momento tinha existido, a lembrança viva da sua consistência, peso, tamanho e cor.

Assim é a vida, feita de pequenas tiras de tempo que juntas formam um filme; sem ensaio, sem croquis, sem rascunhos; a vida em si mesma é a arte final.

Texto:Paloma Villela
Revisão: Marcel Ruiz


Solar path
Between dream and reality (the reality of dreams)

photo and editing: Paloma Villela

photo and editing: Paloma Villela

I woke up just in time to follow the solar path. It was cold and I did not want to get out from under the blanket; I remembered what he told me; that he woke up slowly hugging time, enjoying every little / big minute. Maybe he has a very intense parallel life, there, in the part of his dream that is not considered reality; and so maybe that’s why it’s difficult for him to leave this part of the dream to wake up and be in the other part where we believe in the actual existence of all things. The half where everything that is real is what we can touch, measure, think and see… this part where eyes, senses, intuition and smile aren’t ways of seeing reality; this part of the dream created by the collective belief of order.

I discovered that he can make daydreams an extension of ‘asleep’ dreams. Science towards poetry. It seems extraordinary that he could do it so well. That he could describe and feel the moment so precisely.

The sunlight came slowly fighting through the night, who kindly provided the space generously. The sun could also be generous, giving birth, nurturing life. Because of its magnitude, it isn’t used to give up. So every night, practicing its humility, allows another form of light to manifest, the night light. But even so, it is working tirelessly, lighting another part of the planet.

I looked out the window without moving, my body was still officially in the dream world. Maybe halfway between a dream and another; the dream, parallel world and the dream reality. Lazy, I stretched my arms above my head, I felt my back stretching along with the feet and toes… fingers… yes! He was right, it was good to be a little more in bed… I felt the touch of what we understand as real, I was getting out of the mist, this thin and weak border between the two worlds that exists only in our minds, so elaborate, full of logical reasoning, full of conclusions and judgments… so narrowly.

Really slowly, I opened my eyes dispelling the mist, recording every color and shape around; familiarizing with the room environment. It was still early. I left the house singing, turning this song into a kind of mantra that attracted prying eyes of passing people, who smiled internally feeling the happiness that this song and my lips threw in the morning air. We met in that tall  tree, there on the top; the green called for our attention, because it was so alive, it felt comfortable, ‘smiling the green’. Would he be green? I don’t know, I have my doubts about the color of his nature. I will know soon.

I walked safely in these ways, now I knew them well in a certain way. They are my favorite ways here. If we continued a little longer, we would arrive on the dance area where there was always tree parties. Usually the parties are fun, always full and often they let me in. But today we are close to the statues, that I hope are not imprisoned maidens of other times.

The tree, besides being very strong, knew the meaning of compassion, allowed us to make from her torso a stairway to heaven, as for now we can not fly. So we could be close to the blue and green.

Ringring!!!! ringring!!!! ringring!!!! The other world calling to bring us back to this reality that the most people know…

I didn’t want to let him go… but everything has its time and he went back to find me later where everything was our creation. There, where the atmosphere was a breeze of two gentle breaths, music, words and of course, the desired silence, that carries the air with density. From this place I can not say more.

After all, all was time particles in the form of small molecules, which together formed this moment and even separate has life of its own. I had sufficient evidence that the moment happened, had a vivid memory of its consistency, weight, size and color.

That’s life, made of small strips of time which together form a movie; without trial, without sketches, without drafts; life itself is the final artwork.

Text: Paloma Villela
Review: Marcel Ruiz


Trayecto solar
Entre sueño y realidad (la realidad de los sueños)

photo and editing: Paloma Villela

photo and editing: Paloma Villela

Desperté justo a tiempo de acompañar el trayecto del sol. Hacía frío y no quería salir de debajo de la manta; me acordé de lo que me dijo él; que despertara lentamente abrazando tiempo, disfrutando cada pequeño/gran minuto. Quizá tiene una vida paralela muy intensa, ahí, en  la parte de su sueño que no es considerada realidad; y tal vez por eso le cuesta dejarla para despertar y estar en la mitad del sueño donde creemos en la existencia concreta de todas las cosas. La mitad donde todo lo que es real es lo que podemos tocar, medir, pensar y ver… esta donde ojos, sentidos, intuición y sonrisa no son formas de ver la realidad; esa creada por una creencia colectiva de orden.

He descubierto que él sabe hacer del sueño despierto extensión de sueños dormidos. La ciencia hacía poesía.  Me hacía ilusión que pudiera hacerlo tan bien.  Que pudiera describir y sentir el momento con tanta precisión.

La luz del sol surgía lentamente peleándose con la noche, que cedió gentilmente espacio generosa. El sol también podía ser generoso, dando luz, alimentando vida. Por su magnitud no está acostumbrado a ceder, y cada noche practica su humildad permitiendo que se manifieste otra forma de luz, la luz de la noche. Pero aún así, no deja de trabajar incansable, iluminando otra parte del planeta.

Yo miraba por la ventana sin moverme, mi cuerpo todavía estaba en el mundo oficial de los sueños. Tal vez en medio del camino entre un sueño y otro; el sueño, mundo paralelo y el sueño realidad. Perezosa, estiraba los brazos por encima de la cabeza, sentía la espalda estirándose, junto los pies y punta… los dedos… si! Él tenía razón, era bueno estar un poco más en la cama… sentía el contacto con lo que comprendemos como real, salía de la bruma, esta fina y flaca frontera entre los dos mundos existentes solo en nuestras mentes tan elaboradas, llenas de raciocinios lógicos, repleta de conclusiones y juicios… tan ‘limitada(mente)’.

Poquito a poquito abrí los ojos deshaciendo la bruma, registrando cada color y forma alrededor, familiarizándome con el ambiente de mi habitación. Todavía era temprano. Salí de la casa cantando, transformando esta canción en una especie de mantra que atraía ojos curiosos de los pasantes, que sonreían internamente sintiendo la felicidad que esta canción y mis lábios lanzaban en el aire de la mañana. Nos encontramos en este árbol ahí en lo alto; el verde gritaba atención de tan vivo, me sentía confortable, ‘sonriendo el verde’. Sería él verde? No lo sé, tengo mis dudas cuanto a la naturaleza de su color. Luego sabré.

Yo caminaba con seguridad por estos caminos, ahora los conocía bien de una cierta forma. Son mis caminos preferidos aqui. Si siguiéramos un poco más, llegaríamos al área del baile, donde siempre hay fiesta de árboles. Normalmente están bien las fiestas, siempre llenas y casi siempre me dejan entrar. Pero hoy nos quedamos cerca de las estatuas, que espero no sean aprisionamientos de doncellas de otros tiempos.

El árbol además de ser muy fuerte sabía el significado de tener compasión, nos permitió hacer de su tronco escalera para el cielo, ya que por ahora no podemos volar. Así podíamos estar cerca del azul y del verde.

Ringring!!!! ringring!!!! ringring!!!! El otro mundo sonando para traernos a esta realidad que conoce la mayoría…

No quería dejarlo ir…pero todo tiene su tiempo y él se fue para volver a verme más adelante donde todo era nuestra creación. Ahí donde la atmósfera era brisa de dos respiraciones suaves, música, palabras y claro, el tan ansiado silencio, que carga de densidad el aire. De ahí nada puedo decir.

Al final todo se quedó en  partículas de tiempo en forma de pequeñas moléculas, que juntas formaban este momento e incluso separadas tenían vida propia. Yo tenía pruebas suficientes de que el momento había existido, tenía el vivo recuerdo de su consistencia, peso, tamaño y color.

Así es la vida, hecha de pequeñas tijeras de tiempo que juntas forman una película; sin ensayo, sin croquis, sin borrador; la vida en sí misma es el arte final.

Texto: Paloma Villela
Revision: Marcel Ruiz

 

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