Primeiro dia de aula / First day of school

in english below…

Hoje é seu primeiro dia de aula. Mais quatro meses ela completa seus cinco anos, e é linda demais.
Crescemos juntas desde o primeiro momento. Ela veio assim que o desejo se fez presente; desejo de ter filhos (sorriso). É quase impossível não ver como cresce; assim como é quase impossível não sentir como cresci.

illustration: Paloma Villela

illustration: Paloma Villela

Junto com ela vieram muitas dúvidas. Muitas mancadas e muitos acertos. O acerto mais acertado que consigo ver agora, foi o de esperar a hora certa para a escola. A pequena menina de quase cinco anos ainda não tinha conhecido escola, com excessão de curtos três meses aonde teve a oportunidade de sentir o gostinho ‘de escola’ na casa de uma amiga minha super competente que iniciava sua vida como professora Waldorf (nome da pedagogia que segue). Lugar aonde a menina dos nossos olhos passeava mais ou menos dois, três dias por semana, sem compromisso nenhum.

A escolha de esperar o momento certo para ela e para mim veio acompanhada de um coro feroz de vozes que falavam sem parar que ela tinha que sociabilizar; que eu deveria ter minha própria vida e fazer minhas coisas; que eu deveria voltar a trabalhar. Como se eu não trabalhasse o suficiênte ou deixasse minha filha ilhada dentro de casa sem brincar com ninguém…

Você já passou pela frente de uma escola de crianças muito pequenas!? Uma escola comum, de crianças muito pequenas!? E de bêbes? Uma orquestra incessante de choros. Professores, talvez com boa vontade, mais muitas vezes despreparados…e quem não sente dificuldade de deixar seu filho tão pequeno em um lugar que mal conhece, com pessoas que mal conhece!? Atenção, não é um julgamento é um análise de como nossa sociedade está estruturada agora!

Essa foi uma das razões por que esperamos um pouco mais (faz pouco tempo que ir para a escola com cinco anos de edade é tarde, não somos tão revolucionários assim, isso era o normal). Sim, por que foi uma decisão conjunta. Uma decisão tomada entre amigos, companheiros de vida e amantes. Afinal a filha é sempre de dois (no mínimo).

Todas as decisões foram conjuntas; inclusive a de que eu não teria um trabalho remunerado por algum tempo, para dedicar tempo para nossa pequena. Não foi fácil deixar de ganhar dinheiro. Trabalho sem dinheiro não é só mal visto, mais é quase como se você não trabalhasse (nos olhos de muitos). Tudo legal se você faz um trabalho que não gosta, que te deixa miserável; isso todo mundo aceita. Mais nem pensar em fazer trabalho não remunerado, de dona de casa ou de criar seu filho. Nessa situação existe sempre alguém pronto para te aconselhar a ‘cuidar da sua vida’. E o curioso é que é exatamente o que estamos fazendo, cuidando da nossa vida.

Mais a principal razão pela qual esperamos esse momento de ir à escola foi o desejo dentro do coração de ser parte da vida desse pequeno ser que nos escolheu. Uma parte ativa. Amiga de todas as horas e companheira de vida. E para isso, o que melhor que a convivência? O crescimento mútuo, chorar e rir juntas. E viver essa aventura tão nossa. Quantas pessoas desejam uma aproximidade com seus pais!? Mesmo depois de adultos…

Hoje é o primeiro dia dela de escola…

E essa música que escuto daqui!? Vozes de mulheres que de alguma forma a vida conduziu por este caminho. Seu dia rodeado de crianças felizes e saudáveis. Professoras que cantam, literalmente, nossos filhos. Professoras com aptidão suficiênte para estar ali. Crianças que crescem para florecer pessoas seguras, ricas e bem sucedidas na vida; que podem ter ou não dinheiro. Que vão ter tudo a seu favor para respeitar o próximo e ser feliz. É só uma questão de escolha.

Assim é a escola que encontramos. Um conto de fadas.

Agora, minha filha, desfruta do seu primeiro dia de aula!

Texto: Paloma Villela
Revisão: Marcel Ruiz Forns

Obrigado pelo primeiro contato feliz que minha filha teve com a idéia de escola: http://www.ateliercontoseencantos.blogspot.com.es/


Today is her first day of school. Another four months she completes five years, and it’s just so beautiful.
We grew up together from the start. She came at the time the desire became present; desire to have children (smile). It’s almost impossible not to see how she grows up; as it is almost impossible not to feel how I grew up.

illustration: Paloma Villela

illustration: Paloma Villela

Along with her came many questions. Many mistakes and many hits. The most accurate hit I can see right now, was to wait for the right time for school. The almost five years old little girl had not known school yet, with the exception of short three months where she had the opportunity to get a taste of ‘school’ in the house of a friend of mine, super competent professional, that began its life as a teacher Waldorf (name of pedagogy that she follows). Place where our sweetheart frequented about two, three days a week, without any commitment.

The choice of waiting for the right time for her and for me, was accompanied by a fierce chorus of voices speaking nonstop that she had to socialize; that I should have my own life and do my things; that I should go back to work. As I worked not enough or let my daughter isolated indoors without play with anyone …

You ever had passed through a school of very young children!? A common school, of very young children!? And babies? An incessant orchestra of cries. Teachers, perhaps with good will, but often unprepared…and who does not have difficulty leaving their son so young in a place barely known, with people barely known!? Attention, this is not a judgement, it’s an analysis of how our society is structured right now!

This was one reason why we delayed a little bit more (just recently, going to school with five years old is late, but that was normal not so long a go, so we are not so revolutionary). Yes, it was a decision of two. A decision between friends, life partners and lovers. After all, a daughter is always from two (at least).

All decisions were together; including that I would not have paid work for some time, to devote time to our little one. It was’t easy not to make money. Working without money is not only frowned upon, but it is almost as if you did not work (in the eyes of many). Everyone finds it cool if you do a job you do not like, that makes you miserable; everyone accepts that. But even thinking of doing unpaid work, a housewife or raise your child. In this situation there is always someone ready to advise you to ‘mind your own business’. And the curious thing is that is exactly what we are doing, minding our own business.

In the meantime the main reason why we delayed this going to school, was the desire within the heart to be part of the life of this little being who chose us. An active part. Friend of all hours and life mate. And for that, what better than living? The mutual growth, crying and laughing together. And liveing this adventure as ours. How many people desire a closeness with their parents!? Even after adult…

Today is her first day of school …

And this song I hear from here!? Voices of women whose lives somehow led down on this path. Their day surrounded by happy and healthy children. Teachers singing our children. Teachers with sufficient ability to be there. Children who grow up to flourish secure people, rich and successful in life; which may or may not have money. That are going to have everything in their favor to respect others and be happy. It’s just a matter of choice.

This is the school we found. A fairy tale.

Now, my daughter, enjoy your first day of school!

Text: Paloma Villela
Review: Marcel Ruiz Forns

Thanks for the happy first contact with the idea of school my daughter had: http://www.ateliercontoseencantos.blogspot.com.es/

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4 comments

  1. Guilherme

    Lindo texto. Coragem de ser feliz.

    • A coragem é amiga da felicidade; mais também é amiga do medo. Sem medo não seria preciso coragem. E sem coragem não existe felicidade. Assim que começo agradecendo você por me fazer pensar nisso, e ao medo por ter motivado a coragem de ser feliz. Obrigado!

  2. ayronbarsan

    Parabéns por esse momento tão único de vocês! Aproveite ao máximo e tenha certeza que essa importância que você, mãe, dá à situação e à pequena não tem equipamento tecnológico e viagem à Disney que pague. Nutrindo assim, com o que realmente alimenta uma criança, amor, carinho e atenção, ela irá se tornar, sem dúvida, uma mulher incrível.
    E posso te dar um conselho?
    Não importa o que te disserem, você é a mãe e esses momentos são únicos, quanto mais tempo puder aproveitar com sua pequena não exite, faça.

    Lhes desejo tudo que houver de melhor no Universo! ^^

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