Recomeçar / Restart

in english below…

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A casa vazia é um convite para fazer muito pouco.

Chegamos na véspera de Natal com o corpo cansado depois de três aviões em um total de 15 horas de viagem. Tudo bem, não é tanto assim. Vamos acrescentar um cachorro no porão, um gato desesperado na bolsa a tiracolo, 6 malas grandes (também no porão), três malas de mão, um chapéu, uma mochila e uma bolsa. Será que estou esquecendo de algo!? Ah! A mochilinha cheia de brinquedos e a garrafa de vinho para agradecer a gentileza do agente imobiliário de cidade pequena, que além de nos esperar na véspera de Natal  na porta da casa nova com as chaves na mão, também recebeu nossas meias compras de supermercado compradas pela internet…mencionei que nosso cartão não funcionou e ele pagou também por estas compras!?

Acho que não preciso explicar tudo que foi necessário para chegar até o  ponto onde subimos no avião. Se desfazer da casa foi o mais fácil; desapegar de coisas lindas que se vem guardando a muito tempo é a especialidade da família, este mundo está cheio de coisas lindas. O mais difícil foram documentos infindáveis para animais e pessoas e a expectativa de estar fazendo a coisa certa.

Sobre isso cheguei a conclusão de que só se pode ‘fazer a coisa certa’. Não é possível que eu tenha acertado todas as vezes nas minhas escolhas por mera conhecidência. Acho que ‘fazer a coisa certa’ significa mais do que ‘obter o resultado que queremos’.

 

E aqui estamos, nessa casa vazia.

 

Vazia de móveis, panelas, plantas, roupas, tapetes, quadros, de expectativas, de medos, de coisas para fazer…a casa vazia. Essa casa tão vazia poderia estar mais cheia se tivéssemos a mínima idéia do que estamos fazendo por aqui. Se tivéssemos mudado de casa, cidade e país para conquistar algo. Mais, como mudamos para viver algo; o vazio está bom. Eu gosto de viver o vazio. Gosto de viver as coisas no momento que elas estão acontecendo. Somos felizes nesses momentos. Gosto de observar esse ‘acontecer de coisas’ trabalhando dentro de mim a direção, o rumo que estes acontecimentos vão tomar.

 

E aqui estamos nessa casa tão vazia.

 

Agora ela já tem internet, duas panelas e um tapete; logo ela vai ter quadros, plantas, uma mesa para comer, provavelmente expectativas e deve aparecer algum medo…mais por agora, ela está vazia.

E se pudéssemos manter esse vazio? E se o vazio não dependesse das coisas e expectativas que nos rodeam? Acho que entendi. Hoje entendi.

Desejo um recomeço para todos os seres. Desejo capacidade de viver o vazio cada dia. Desejo a capacidade de ser grata com o coração aberto. Desejo amor, sobre tudo amor, para todos os seres.

 

Feliz novo! Feliz hoje! Feliz 2015!
MundoPadma


Texto: Paloma Villela
Fotografia: Paloma Villela
Edição da fotografia: Patrick Villela


 

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The empty house is an invitation to do very little.

We arrived on Christmas Eve with a tired body after three planes in a total of 15 hours of travel. OK, it’s not that much.  Let’s add a dog in the cargo area, a desperate cat in the bag in cabin, 6 large bags (also in the cargo), three handbags, hat, backpack and a purse. Am I forgetting something!? Ah! A backpack full of toys and a bottle of wine to thank the kindness of small-town real estate agent who waited for us on Christmas Eve at the door of the new house with the keys in hand and also received our grocery shopping purchased by internet … I mentioned that our card did not work and he also paid for these purchases!?

I think there’s no need to explain everything that we had to do, to be able to get on the plane. To dispose of the house was the easiest; letting go of wonderful things that have been keeping a long time is the specialty of our family, this world is full of beautiful things. The most difficult were the endless documents for animals and people and to know if we were doing the right thing.

About this, I came to the conclusion that one can only ‘do the right thing’. It is not possible that  I have hit every time in my choices by mere coincidence. I think ‘do the right thing’ means more than ‘get the result we want.’

 

And here we are, in this empty house.

 

Empty of furniture, pots, plants, clothing, carpets, pictures, expectations, fears, things to do … the empty house. This so empty house could be fuller if we had a smallest idea of what we’re doing here. If we had moved to another home, city and country to win something. But as we move to live that something, emptiness is good. I like to live the void. I like living things when they are happening. We are happy in these moments. I like to observe this happening of things; working within me the direction, the direction that these events will take.

 

And here we are in this house so empty.

 

Now she has internet, two pots and a carpet; soon she’ll have pictures, plants, a table to eat, probably expectations and should appear some fear… but for now, it is empty.

What if we could keep this void? And if the emptiness did not depend of things and expectations that surround us? I think I understand. Today I do.

I wish a fresh start for all beings. I wish the ability to live an emptiness every day. I wish the ability to be grateful with an open heart. I wish love, especially love, for all beings.

 

Happy New! Happy today! Happy 2015!
PadmaWorld

 

Text: Paloma Villela
Photography: Paloma Villela
Photo editing: Patrick Villela

 

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www.padmaworld.com

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