Colombo

Eu só seguia. É sempre assim quando vou ao Rio. A visita desta vez tinha gostinho de aventura; era muito curta e des compromissada. E eu seguia sem perguntar para onde; não fazia diferença estávamos quase todos juntos. No metrô o clima já era de festa. Olhar as pessoas na correria do dia-a-dia delas, ou de férias, ou com camisas espalhafatosas de futebol dos quatro cantos do mundo…

Quando subimos a superfície o barulho triplicou. “Troca-se figurinhas!” gritou um; “Pano de prato?” perguntou outro. Camelô de primeiro mundo (sorriso)! Barraquinhas espalhadas por todos os lados vendendo todos os tipos de coisas que você possa imaginar. Comprar bugigangas não é exatamente meu passeio preferido; mais tudo estava no lugar que tinha que estar, e eu estava curtindo.

Nos separamos por um momento, meu irmão tinha coisas para resolver, mais ainda éramos um grupo feliz caminhando pelas ruas antigas da cidade.

Pessoas para um lado e outro sem parar, esbarrando, correndo, sem olhar, olhando…lojas de chapéus (que já não são comuns no Brasil), fachadas decrépitas mais lindas de prédios históricos. Perguntamos para umas três pessoas para que lado estava o café. Meu irmão nos encontraria ai.

E no meio do barulho, das pessoas, dos vendedores ambulantes; a faixada imponente. Ali se respirava história. Encontramos! Café Colombo, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro.

Algumas pessoas entravam e saiam da faixada emoldurada de madeira levianamente. Dentro a sala com pé direito alto rodeada de espelhos gigantescos, tinha uma iluminação tênue, romântica. Olhei em volta. Olhei. O garçom trouxe o cardápio, mais eu já sabia o que ia pedir. Qualquer coisa que viesse naquela xícara, pensei.

Agora com o grupo completo; Conversa boa, torradas e chá. Um momento feliz.

“Mãe quero fazer cocô”, minha filha de quatro anos de idade falou,  assim sem mais; no meio de espelhos, xícaras de porcelana, cadeiras de madeira, doces de morango. Eu sorri e me levantei. Juntas caminhamos até uma porta dupla de espelho, que mais parecia parte da parede. “O banheiro deve ser especial”, pensei. Era..especialmente feio e decrépito. E o lugar todo ficou com aquele ar de fantasmagórico. Mais não menos bonito. Tinha uma certa beleza no decrépito, e principalmente na história de todas aquelas pessoas que deveriam ter passado por ali para tomar uma xícara de chá com torradas no coração da cidade.

Texto e fotos: Paloma Villela

 

Xícara colombo Collage 1

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2 comments

  1. Um passeio nas minhas lembranças:)
    Delicia!!
    Obrigada!

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