Luminessêncianaturalíricaespacialverde…

Luminessêncianaturalíricaespacialverdeazulecoisaetal

Era uma vez…

Uma criatura tão antiga que sua origem remonta tempos que já não se podem contar. Vivia num ponto distante do universo, mais muito bem localizado; com vista para a via látea e boa comunicação estrelar para qualquer parte deste e de outros mundos.

Sempre com um sorriso leve no rosto alargado, olhos enormes e muito expressivos; Lunar (Luminessêncianaturalíricaespacialverdeazulecoisaetal) era um observador. Observava as estrelas; o vazio do espaço; as cores e a ausência delas. Mas acima de tudo, era um observador de si mesmo, de sua própria natureza. Um dia, mergulhado em profunda observação, Lunar caiu.

Caiu, caiu e caiu dentro do mais profundo do seu próprio ser. Nem a queda livre que parecia sem fim; nem o espaço vazio a sua volta; nem o fato de cair de costas com suas enormes asas adormecidas com seu corpo curvado como se pesasse mil toneladas num letargo de prazer… o assustaram. Era como se ele soubesse que isso passaria.

Na sua cabeça não vinha nenhum só pensamento. Nada além da sensação do corpo magro em contato com o ar abrindo caminho sem resistência para algum lugar tão conhecido como desconhecido. Depois de mergulhar nesse estado, finalmente sua consciência começou a se manifestar, a sussurrar sua atenção para que ele abrisse seus olhos. “Abre os olhos! Olha a sua volta!” Dizia.

E em sua queda sem fim Lunar chegou ao fundo. Ao contrário do que possa parecer, não foi violenta a sua aterrizagem; era como se ele nunca tivesse saído do chão ou seja lá qual for a superfície que se encontrava deitado agora.

Apesar do apelo da sua consciência, permaneceu com o olhos fechados e o corpo inerte. Através das pálpebras a luz vinda de fora-dentro era muito forte e Lunar ainda não queria nem abrir os olhos nem mover o corpo espalhado na superfície que parecia transformar-se junto com tudo à sua volta. Agora era suave e cheirava a mar; também emitia um calor agradável acompanhado de uma brisa silenciosamente musical.

Curioso, Lunar já não queria manter os olhos fechados. A luz também tinha se transformado em suavidade e suas enormes asas já não estavam. Seria sua essência mais pura incapaz de voar? Se levantou sem pressa de entender nada, de racionalizar ou de usar seu conhecimento milenário contra si mesmo. Não estava disposto. Uma sabedoria desconhecida cresceu no seu peito de ser vivo; latia como todas as coisas. Se sentia capaz de voar sem asas, de ser feliz e fazer outros felizes…

“Que será esta superfície tão pálida que engole meus pés enquanto caminho? E essa música de vento, verde, azul e espuma, tão vivos como meu próprio ser?” Se perguntou Lunar.

Totalmente absorta em suas recentes descobertas, Lunar caminhou concentrada em todas essas sensações sem se dar conta que não estava sozinha em sua descoberta. Outros sediam aos ensinamentos naturais ao seu redor. Pareciam jovens (principalmente comparados a Lunar), frescos de vida corrente.

Como boa observadora, Lunar observou.

Pareciam duas criaturas completamente diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas! Ainda não haviam percebido a presença de Lunar.

Gravura sobre papel. Sexo. Paloma Villela

Gravura sobre papel. Sexo. Paloma Villela

Ela observava; o que sabia fazer melhor.

As duas criaturas, sentadas em duas pedras de formas ovaladas, de um momento para outro se deram conta que estavam sendo observadas e um pouco de apreensão e curiosidade tomou conta de seus pequenos corações apaixonados pela vida que cada um é capaz de germinar.

Lunar se aproximou deles despreocupada, ela já sabia quem eram. O jovem casal por sua vez, de mãos dadas, parou diante de Lunar juntos, dispostos a descobrir. Não sabiam exatamente o quê, mas estavam dispostos a descobrir. E essa motivação os transformou de tal maneira; que separados eram dois seres completamente diferentes, dispostos a aceitar o outro, e juntos formavam este único ser capaz energeticamente, de criar outros seres à partir de si. Uma energia completa capaz de gerar vida e com ela… AMOR.

O casal olhou fixamente nos grandes olhos de Lunar e ela-ele, ele-ela; olhou da mesma maneira nos olhos dessas duas pessoas encontradas dentro de si mesma e entendeu.

Lunar é ao mesmo tempo individualidade, masculino, feminino, união, obstáculo, felicidade, família…vida. É a consciência mais profunda; prova irrefutável de que somos parte uns dos outros e base. Base forte para crescer em amor e sabedoria como consequência.

Depois desse encontro tão surpreendente, já não tem volta atrás; todo passado, presente e futuro se fundem, e cada um que faça bom proveito disso.

Nosso amigo observador volta para a sua casa com vista para a via látea sabendo que desse encontro consigo mesmo dividido em dois brotariam sementes de felicidade; e que o mais profundo do seu ser voltaria a dividir-se uma e outra vez em pequenas porções de si mesmo espalhadas em outros seres que por sua vez também seriam capazes de herdar a capacidade de união e divisão até formar uma grande corrente de amor.

Lápis sobre papel. Semeando. Paloma Villela

Lápis sobre papel. Semeando. Paloma Villela

 

Texto: Paloma Villela
Imagens: Paloma Villela

Advertisements

About Padmaworld

www.padmaworld.com

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: